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Kraken

Kraken: Pontoppidan e o monstro que entrou nos livros

Equipe Unicorn Solo Mitologia nórdica Leitura de 3 minutos Revisado em

Um bispo norueguês do século XVIII colocou a criatura em uma obra de história natural, com depoimentos de pescadores.

O kraken deve sua fama a um gênero inesperado: a história natural setecentista. Não foi a poesia que o consolidou, mas uma obra que pretendia catalogar a fauna real de um país.

A obra de Pontoppidan

Erik Pontoppidan, bispo de Bergen, publicou na década de 1750 uma história natural da Noruega em que reúne geografia, clima, minerais, plantas e animais. Na seção dedicada aos animais marinhos ele trata do kraken, ao lado da serpente marinha, com base em depoimentos de pescadores e navegantes.

A descrição retoma o motivo antigo: um corpo tão vasto que parece um conjunto de ilhotas, capaz de provocar redemoinhos ao submergir. Pontoppidan menciona braços ou pontas erguendo-se acima da superfície, elemento que começa a aproximar a criatura dos cefalópodes.

É importante entender o método da época. Coletar testemunhos locais e registrá-los com ressalvas era procedimento aceito em obras de história natural, muito antes da consolidação de padrões modernos de verificação.

Denys de Montfort e o polvo colossal

No início do século XIX, o naturalista francês Pierre Denys de Montfort dedicou atenção a relatos de cefalópodes gigantescos em sua obra sobre moluscos e propôs a existência de um polvo colossal capaz de atacar embarcações. Suas conclusões mais extremas foram rejeitadas pelos contemporâneos e prejudicaram sua reputação.

Ainda assim, foi essa etapa que fixou a forma de cefalópode na imaginação europeia. A gravura de um polvo enorme envolvendo um navio, muito reproduzida depois, pertence a essa linhagem.

Do relato à literatura

Ao longo do século XIX, o tema migra para a literatura e para a poesia, que consolidam a imagem do monstro adormecido nas profundezas. Essas obras são documentos da recepção do tema, não fontes sobre crenças nórdicas antigas.

O que é releitura moderna

Vale separar três camadas que costumam ser confundidas: o monstro medieval confundido com ilha, o animal descrito em obras de história natural setecentistas com base em testemunhos, e o polvo colossal da ilustração e da ficção. Os três se chamam kraken hoje, mas não são a mesma coisa.

  • Fonte setecentista: kraken como animal marinho descrito a partir de depoimentos de pescadores.
  • Etapa seguinte: proposta de um cefalópode colossal, rejeitada pelos naturalistas da época.
  • Camada moderna: consolidação visual do polvo que ataca navios.

Fontes consultadas neste guia

  1. Erik Pontoppidan, História Natural da Noruega (1752-1753)
  2. Pierre Denys de Montfort, História natural geral e particular dos moluscos (1801-1802)
  3. Konungs skuggsjá (Espelho Real), c. 1250