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Esfinge

A Grande Esfinge de Gizé: atribuição, areia e o nariz perdido

Equipe Unicorn Solo Mitologia egípcia Leitura de 3 minutos Revisado em

Uma estela real narra a limpeza do monumento, e um relato medieval descreve sua mutilação.

A escultura monumental do planalto de Gizé é a esfinge mais conhecida do mundo e, ao contrário da esfinge grega, não propõe enigmas. Sua função é outra: encarnar o soberano em corpo de leão, com o poder que a combinação sugere.

O que é uma esfinge egípcia

A esfinge egípcia padrão é masculina e reúne corpo de leão com cabeça humana adornada com insígnias reais. Existem variantes com cabeça de carneiro, associadas a Amon e dispostas em avenidas processionais, e com cabeça de falcão, ligadas a Hórus.

Essas figuras funcionam como guardiãs de espaços sagrados e como afirmação da autoridade real, sem qualquer traço de criatura hostil a ser vencida.

A atribuição

A hipótese mais aceita relaciona a Grande Esfinge ao complexo funerário de Quéfren, da quarta dinastia, por razões de posição, alinhamento e associação com o templo do vale. Outras propostas de atribuição existem e continuam sendo discutidas na egiptologia.

A escultura foi talhada no substrato rochoso do próprio planalto, e não erguida em blocos, o que condiciona sua forma e explica parte dos problemas de conservação.

A estela do sonho

Entre as patas dianteiras está uma estela erguida por Tutmés IV, do Reino Novo. O texto narra que o rei, então príncipe, adormeceu à sombra do monumento e recebeu em sonho o pedido de que a areia fosse removida.

A estela é evidência de duas coisas: o monumento já era muito antigo e já estava parcialmente soterrado, e havia culto ativo associado a ele, sob o nome que remete a Hórus no horizonte.

O nariz

A ausência do nariz é frequentemente atribuída a tiros de canhão de tropas napoleônicas. A explicação não se sustenta: desenhos e descrições anteriores à expedição francesa já mostram o rosto sem o nariz.

Existe registro documental bem mais antigo. Um historiador egípcio do início do século XV relata que um homem havia mutilado o rosto do monumento por motivação religiosa, por considerar objeto de veneração indevida, e que foi punido por isso.

A barba cerimonial também se desprendeu, e fragmentos atribuídos a ela estão em coleções de museu.

O que é releitura moderna

Propostas que atribuem à esfinge idade muito superior à cronologia egípcia estabelecida, com base em interpretações de erosão, não encontram apoio no conjunto das evidências arqueológicas e não são aceitas pela egiptologia. Também não há qualquer registro antigo de câmaras secretas com arquivos sob o monumento.

  • Fonte material: escultura talhada na rocha do planalto, associada ao complexo de Quéfren.
  • Fonte escrita: estela de Tutmés IV sobre a remoção da areia e o culto ao monumento.
  • Fonte medieval: relato de mutilação do rosto por motivação religiosa no século XV.
  • Sem apoio: datação alternativa muito antiga e câmaras secretas com arquivos.

Fontes consultadas neste guia

  1. Estela do Sonho de Tutmés IV, Gizé
  2. Grande Esfinge de Gizé, planalto de Gizé
  3. Relatos historiográficos egípcios do século XV sobre a mutilação do monumento
  4. Avenida de criosfinges de Karnak