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Dragões

Dragões no Japão: serpentes de oito cabeças e senhores das águas

Equipe Unicorn Solo Mitologia japonesa Leitura de 3 minutos Revisado em

Aqui o dragão não é adversário por definição, e sim divindade ligada à chuva e ao mar.

A palavra dragão cobre coisas muito diferentes em tradições distintas, e o caso japonês é o exemplo mais útil para perceber isso. Aqui, a criatura serpentiforme costuma ter autoridade sobre a água e receber culto, em vez de ser simplesmente combatida.

Yamata no Orochi

O Kojiki narra que, expulso do plano celeste, Susanoo desce à província de Izumo e encontra um casal em lágrimas: uma serpente de oito cabeças e oito caudas havia devorado sete filhas, e a última estava prestes a ser entregue.

A descrição é precisa e impressionante: o corpo se estendia por oito vales e oito colinas, com olhos vermelhos e musgo e árvores crescendo sobre as costas. O plano de Susanoo envolve uma cerca com oito portões e oito cubas de bebida forte, uma para cada cabeça.

Depois de matar a serpente adormecida, ele encontra uma espada em sua cauda e a oferece à divindade solar. Essa arma passa a integrar o conjunto de insígnias imperiais japonesas, o que dá ao episódio peso político duradouro.

O deus dragão do mar

Em outro episódio do Kojiki, Hoori perde um anzol emprestado e desce ao palácio da divindade do mar para recuperá-lo. É recebido com hospitalidade, casa-se com a filha do deus e retorna com objetos de poder sobre as marés.

Essa figura de soberano marinho, associada na tradição posterior a forma de dragão, aparece também na narrativa popular do pescador que visita o palácio submarino e retorna para encontrar séculos passados em terra.

A influência continental

A iconografia do dragão japonês recebe forte influência chinesa, com corpo alongado, quatro patas curtas, chifres ramificados e ausência de asas. Templos e santuários trazem essas figuras em tetos, pias de purificação e pinturas, e a presença no espaço religioso é constante.

Vale registrar que classificações muito detalhadas de tipos de dragão, comuns em textos de divulgação, derivam de tradições chinesas de períodos específicos e não devem ser projetadas sobre o Japão antigo.

O que é releitura moderna

A ideia de que o dragão oriental é sempre benevolente e o ocidental sempre maligno é uma simplificação. Yamata no Orochi é claramente destrutiva, e há dragões protetores na tradição europeia medieval, sobretudo em heráldica. As tendências existem, mas não são leis.

  • Fonte antiga: Yamata no Orochi no Kojiki, com oito cabeças e a espada na cauda.
  • Fonte antiga: palácio do deus do mar visitado por Hoori.
  • Camada moderna: a oposição rígida entre dragões orientais bons e ocidentais maus.

Fontes consultadas neste guia

  1. Kojiki (712), livros I e II
  2. Nihon Shoki (720)
  3. Izumo no Kuni Fudoki (733)
  4. Iconografia de templos e santuários japoneses